9 de setembro de 2008

Eu isolo os cabelos, ela ajeita as mechas negras;
eu sou verde, ela azul;
eu tenho o nariz de um dobrão espanhol,
ela alegra as frutas;
eu tenho os olhos renascentistas,
ela, um olhar impressionista;
eu ando nos cantos dos caminhos,
ela solta os caminhos sem perceber;
eu me arrisco na arrebentação,
ela espera a visita do mar;
eu sou da meia-noite,
ela é do meio-dia;
minhas mãos são menores do que as dela,
suas mãos alcançam a chuva;
eu deito no lado esquerdo,
ela amplia o direito;
eu durmo de tv acesa,
ela sonha com o rádio ligado;
eu esqueço moedas e passagens nos bolsos,
ela recolhe o resumo da roupa na máquina;
eu uso o telefone como orelha da porta,
ela é a chamada a cobrar;
quando distraído,eu faço poesia atenta
quando atenta,ela faz poesia distraída;
eu tenho pés chatos e piso em falso
ela enxerga duplo e aprecia em dobro;
eu danço fora da música,
ela dança com a música de dentro;
eu não sei fazer churrasco,
ela faz de conta que não precisa;
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(carpinejar)

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