eu faço as contas,
ela enrola o terço na cama para dar sorte;
eu tomo café forte,
ela mede a fumaça com a colher;
eu chamo seu pai para consertar o chuveiro,
ela chama minha mãe para me confundir;
eu sou redundância,
ela é o eufemismo;
eu não uso aspas,
ela usa chapéu na praia;
eu leio estirado como uma chama,
ela lê com as pernas dobradas;
eu compro o fútil,ela compra o necessário,
eu me perco em lugares abertos,
ela se perde em lugares fechados;
eu falo sem parar,
ela ouve sem dormir;
eu prefiro estacionar nas esquinas,
ela me centra;
eu compro jornal,
ela é quem lê;
eu escapo dos deveres,
ela paga guardador de carro;
eu me visto sem olhar,
ela corrige o que não vi;
ela não fica doente,
eu adoeço quando estou nervoso;
ela pensa em tudo,
eu penso o que não sobra;
eu extravio nomes,
ela extravia rostos;
eu não guardo telefones,
ela memoriza a lista;
eu não canto,
ela me legenda o som;
eu erro na pronúncia,
ela é vento simutâneo;
depois do prazer,fico com insônia,
depois do prazer,ela quer dormir
.
.
.
(carpin...)
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